quarta-feira, 31 de outubro de 2012


ATIVIDADE DO MÓDULO 3


 


Autor: Renata Cristina Alves

Curso: Leitura e Escrita no Contexto Digital (2012)

Atividade: construção de um texto do gênero: uma notícia para um jornal voltado para as classes A e B.

Tema: uma pessoa que ao abrir sua porta, após soar a campainha, encontra um cadáver na soleira


Título da notícia: Dono do Vendramini’s morre em Hotel na Paulista

Esta é uma obra fictícia, qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência.







 


Dono do Vendramini’s morre em Hotel na Paulista


Felipo Vendramini, dono do Vendramini's, é encontrado morto no Magnum Plaza Hotel, na Avenida Paulista, em São Paulo. Ainda não se sabe o motivo de sua morte, uma vez que a investigação segue em sigilo.




 

Av. Paulista, projetada pelo engenheiro uruguaio Joaquim Eugenio de Lima, centro cultural e financeiro da cidade, é  um dos mais famosos pontos turísticos da cidade.  Foto: Christian Knepper/Embratur

 

O empresário Adriano Havestein, 39 anos, dono da rede Stella Supermercados, com sede no Rio de Janeiro, estava hospedado no hotel para o evento empresarial sobre comércio varejista e tendências, onde seria palestrante no segundo dia do encontro. Às 8:00 ao abrir os olhos, consultou o relógio de cabeceira, levantou-se e caminhou até o banheiro; inicia-se assim seu depoimento sobre este dia.
Escova os dentes observando o ambiente daquele quarto luxuoso, cuja diária custava R$1500,00; lava o rosto e escuta a campainha do quarto tocando, enxuga-se às pressas, sai do banheiro e vai até a porta; neste caminho olha rapidamente para seu Samsumg Galaxy S III e nota uma ligação perdida de sua esposa, a também empresária Estefani Havestein; destranca a fechadura e abre a porta; surpreendentemente encontra um  corpo caído na soleira; analisa ao redor do corpo, corre seu olhar para todos os lados, percebe, então, que não há mais ninguém naquele corredor.
Durante a reconstituição do crime, diz ao delegado Carlos Magalhães, do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa - DHPP, que ainda pensou em ligar para a esposa durante o momento em que abaixou-se para tocar o corpo; Ao tocá-lo com os dedos, sente que está frio e rigído; logo percebe que era um cadáver. Imediatamente, corre até seu telefone e disca o número da central da polícia e relata a sequência de acontecimentos que o levou a descobrir um cadáver a sua porta.
Somente após ao meio-dia, Adriano, com o apoio de sua mulher e advogado, soube que aquele corpo era do, também empresário, Felipo Vendramini, participante do mesmo evento. Felipo havia chegado no dia 13 ao hotel, residente de Salvador, ele tinha a intenção de ampliar sua rede de supermercado, Vendramini's, que hoje há 25 unidades no Nordeste.
Em entrevista nesta manhã, 16, um dia após o ocorrido, o delegado diz trabalhar com várias hipóteses, no entanto não especificou as possibilidades, dizendo que prejudicaria o andamento do caso, afirmou apenas que após a conclusão do inquérito é que será liberado as informações.
Os organizadores do evento, os empresários Paulo Santana e Ricardo Nunes, em solidaridade ao acontecimento trágico, cancelaram o evento e em nota a imprensa, em nome da Eventos Paulista, disseram lamentar a morte de Felipo.


RENATA CRISTINA ALVES - Folha Paulistana

terça-feira, 30 de outubro de 2012

ATIVIDADE DO MÓDULO 3

 

Autor: Janete dos Santos

Curso: Leitura e Escrita no Contexto Digital (2012)
Atividade: construção de um texto do gênero: uma notícia para um jornal voltado para as classes A e B.
Tema: uma pessoa que ao abrir sua porta, após soar a campainha, encontra um cadáver na soleira
Título da notícia: MISTÉRIO EM ALTO MAR
Esta é uma obra fictícia, qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência.




 MISTÉRIO EM ALTO MAR 

ASSASSINADO O COMANDANTE DO L.F.A 

                                                                                                                                        

                                                                 

        Foi encontrado o corpo de Leônidas Ferraz Albuquerque, brasileiro, proprietário e comandante do luxuoso navio internacional L.F.A Cruzeiros, na última sexta-feira, dia 20 de outubro, às 05h30min, após uma recepção oferecida a 300 convidados,brasileiros e italianos, a bordo do navio, rumo ao Rio de Janeiro.

        Um dos marinheiros que participava do cruzeiro, relatou à polícia que após a festa, despediu-se do comandante, recolheu à cabine para descansar e que ao despertar, ainda meio sonolento, levantou, olhou de relance para o relógio da cabeceira e percebendo que estava atrasado para iniciar suas atividades diárias, correu para o banheiro. Disse que ouviu a campainha tocar, mas como estava tomando banho, não atendeu de prontidão.

         Ainda segundo o marinheiro, saiu do banheiro rapidamente, enxugou-se às pressas, caminhou até à porta, pensando que fosse alguma camareira, destrancou a fechadura, abriu e ficou aturdido com a figura daquele homem caído no chão. Não sabendo o que fazer, olhou ao seu redor, pensou em chamar alguém, mas naquele corredor estreito e gigantesco não havia mais ninguém. O marinheiro disse que abaixou-se para tocar o homem com os dedos quando reconheceu que aquele corpo frio e rígido era do comandante do navio. Ainda muito assustado e confuso, entrou no quarto, pegou o telefone e discou para a recepção relatando o ocorrido, pedindo que acionasse a central da polícia marítima.

       A lancha trazendo a equipe policial demorou 30 minutos, a perícia foi feita no local e o resultado sairá em 15 dias. Nas primeiras buscas, não foi encontrada nenhuma arma.        

       Todos os tripulantes do navio serão ouvidos em depoimentos, que terão início já na segunda quinzena de novembro e o caso será investigado pela polícia aqui no Brasil , visto que o crime ocorreu em “terras” brasileiras.

        Ainda não se têm suspeitas da autoria do crime, pois o comandante do navio L.F.A era uma pessoa sem antecedentes criminais e muito respeitado igualmente  pelos amigos italianos e brasileiros.

         

                                                                           J. Santos/ Jornal de Jaú- 2012       


 



ATIVIDADE DO MÓDULO 3
Autor: Maria Gonçalves da Luz Souza
Curso: Leitura e Escrita no Contexto Digital (2012)
Atividade: construção de um texto do gênero: uma notícia para um jornal voltado para as classes A e B.
Tema: uma pessoa que ao abrir sua porta, após soar a campainha, encontra um cadáver na soleira.
Título da notícia: MISTERIOSO ASSASSINATO NO HOTEL “ENCHANTED VALLEY”
Esta é uma obra ficitícia, qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera conincidência.

 
MISTERIOSO ASSASSINATO NO HOTEL “ENCHANTED VALLEY”

Traficante encontrado com três tiros na cabeça no corredor de Hotel

É encontrado no corredor do hotel " Enchanted Valley", no último domingo de outubro, com três tiros na cabeça o corpo do procurado traficante Leoni.



Na noite do último domingo do mês de outubro, por volta de 23h45, foi encontrado o corpo do senhor  Leoni Tradescantia Pallida, no corredor do  famoso Hotel “Enchanted Valley, localizado no Bairro Alto da Tenda, região nobre de Apiaí. Segundo informações obtidas junto a Polícia Federal,  trata-se do comandante da biopirataria internacional, que contrabandeava espécies animais e vegetais endêmicos do Alto Vale do Ribeira.

O empresário Bráulio Silva, hospedado no Hotel “Enchanted Valley”, contou que logo ao acordar consultou o relógio de cabeceira verificou que já eram 23h30, quase na hora de seu vôo. Levantou-se rapidamente, foi ao banheiro, escovou os dentes e quando começava a lavar o rosto ouviu soar a campainha da sua porta. Segundo o senhor Silva, pensou que era seu motorista que havia chegado. Rapidamente enxugou-se e saiu do banheiro e dirigiu-se à porta, ao destrancá-la e abri-la deparou-se com uma cena inusitada: um senhor encontrava-se caído na soleira. Imediatamente olhou ao redor, mas não havia ninguém. O corredor estava deserto.

Ainda assustado abaixou-se para verificar o que estava ocorrendo, porém ao tocar de leve, com as pontas dos dedos, o senhor desacordado, sentiu que o corpo já estava frio e rígido. Quando percebeu que se tratava de um cadáver, o empresário contou que por alguns segundos ficou sem reação diante da cena.  Em seguida correu para o interior do quarto e ligou para central da Polícia.

Dentro de poucos minutos, a polícia chegou à cena do crime e verificou que se tratava de um procurado comandante da biopirataria, responsável pelo tráfico de animais que vem ocorrendo no Alto Vale do Ribeira desde 2010. Acreditam que trata de um esquema milionário de tráfico internacional de diversos tipos de vida da fauna e da flora encontrados apenas nesta região. 

O caso já está sendo investigado pela Polícia Federal, mas ainda não se tem suspeitas da autoria do crime. Tudo indica, porém, que não se trata de um mero caso de assalto, uma vez que foram encontrados com a vítima vários objetos de uso pessoal, entre eles relógio de ouro, celulares, carteira e alguns milhares de dólares.

O caso foi registrado na Delegacia Central de Apiaí.

 Maria Luz/FolhaAltoVale - 2012

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Conheçam nossas Experiências Leitoras e Escritoras

Olá pessoal! Temos imensa alegria em compartilhar das nossas doces (ou não) experiências com o mundo da leitura e escrita. Apresentamos nossos relatos que ao serem lidos, conduzirão todos a uma viagem ao passado, convidando-os a reviver suas memórias leitoras e escritoras e refletir sobre sua relação com o mundo das letras!
Sejam bem vindos ao nosso mundo!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Livros e Lembranças


Todos os depoimentos são extremamente valiosos e nos mostram, de alguma forma, a importância da leitura na vida do ser humano. E, a partir disso, lembro quão importante a leitura foi (e é) para a minha vida.
Desde criança lembro que era apaixonada por livros, e assim como muitos alunos que tenho, só tinha acesso a esse material na escola, já que lembro que em casa havia apenas um livro de contos de fadas. Eram três contos que foram lidos repetidas vezes. As imagens tanto me encantavam quanto me assustavam, como poderia alguém falar e da boca sair sapos!
Depois desse vieram outras histórias fantásticas, todas essas por intervenção da escola. Era uma sensação maravilhosa entrar em uma sala repleta de livros, e o mais importante, livros que poderíamos pegar. E foram essas experiências que me guiaram até o profissional.
Meu primeiro livro que compre foi “A Moreninha” para um trabalho da escola, e, após esse também vieram outros de literatura nacional, mas confesso que demorei um pouco para me encantar com os escritos de nossa terra. Me apaixonei realmente por Kafka, “A Metamorfose”,Joyce, “Dublinenses”, Henry Miller, entre outros. E, principalmente, aquela pequena ilha me encantou tanto que fui atrás de outros escritores irlandeses - Beckett, Yeats, Shaw, Sheridan... E foram essas leituras as responsáveis por eu ter escolhido o curso de Letras.
Tanto ler quanto escrever me satisfaziam plenamente, lembro que na terceira série fiz uma poesia e a professora gostou tanto que chamou a diretora e escreveu na lousa para que todos copiassem minha poesia. Esse dia foi mágico e me incentivou a escrever mais e mais, porém, agora, faz um tempo que não prático para além das necessidades acadêmicas.
Percebo que quanto mais leio, mais tenho vontade de ler, sobre todos os assuntos. Creio que o dia que eu acordar sem vontade de ler, já estarei morta interiormente, sem mais sonhos para sonhar.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Doces Lembranças
Sempre fui amiga dos livros e da matemática!

Após ler e ouvir os depoimentos sobre o papel da leitura e escrita nas vidas de diversas personalidades e ao ouvir Gilberto Gil, fiz uma viagem no tempo e revisitei minhas doces lembranças da infância!
Ao dialogar com o passado, revi uma menininha que adorava ouvir os contos de fadas que seu querido pai, pacientemente, lia e relia todas as noites. Eram sempre as mesmas histórias, pois em casa só havia três livros infantis. As histórias eu já sabia de cor, mas o momento era sempre mágico, pois desfrutava da maravilhosa presença do meu pai enquanto viajava no mundo encantado das letras! Nesta época não tínhamos TV, mas as histórias me faziam viajar e sonhar com  mundos possíveis e impossíveis! Foi assim meus primeiros contatos com o mundo da escrita e da leitura.
Ah!  Meu querido pai, mesmo com pouca escolaridade, era e é um dos homens mais sábios que eu conheço. Sempre me disse que a maior herança que um pai pode deixar para seus filhos é uma educação de boa qualidade! Ele me ensinou a desvendar os “enigmas” do mundo das letras e dos números, me ensinou a ler os sinais, símbolos, a ler o mundo.
Como sempre tive um ombro de gigante me apoiando, aprender a ler, escrever e a calcular nunca representou grandes desafios na minha trajetória escolar. Sempre fui amiga dos livros e da matemática. Meu pai sempre me fez acreditar que eu tenho potencial para alcançar todos os meus sonhos e, com isso, me auxiliou a vencer os desafios que a vida me trouxe (e me traz)!
Hoje sou uma amante dos livros, confesso que tenho sede de ler, uma sede que nunca é satisfeita! Leio tudo o que encontro. Amo ler!!!
Abçs
Maria da Luz
Minhas Memórias

Lembro-me que só lia em épocas de prova!


Li e ouvi os depoimentos e me remeti ao passado de leitor e escritor do qual não tenho muito o que  falar, porque só pensava em jogar futebol.
Em minha casa, também não tive exemplos de leitores, não tinham livros. Não me lembro das minhas primeiras leituras e escritas na escola e também tinha pavor das redações de temas livres, como disse  Gabriel O pensador em sua entrevista e com isso tenho essa dificuldade em ter o hábito em leitura e de escrever.
Lembro-me que só lia em épocas de provas, por isso não tenho nenhuma  experiência assim, que considero inesquecível.
Hoje, como educador tenho essa grande dificuldade de ler para os alunos, mas cobro a leitura e a escrita e participo dos projetos de leitura. Leio jornais e revistas. Já  fiz muitos cursos de capacitação para professor que me fizeram ler muito no momento e adquirir muito conhecimento, mas pouco  entrei em contato com livros literários e por ser da área de exatas, percebo que estou sempre em contato com gêneros informativos e científicos.
Quando entrei no módulo 2 e li a questão sobre esta tarefa, fiquei assustado e pensativo, porque percebi que não tinha muito para relatar como experiência de leitor e escritor tão importante para mim.Sou casado com uma professora de Língua Portuguesa que está sempre lendo e quando preciso me socorre. E por isso na minha casa hoje tem muitos livros.
Roberto Kennedy
A Leitura na Minha Vida


E então me deixava ir para mundos fantásticos!

Após ter lido os depoimentos e entrevistas, percebi a importância que a leitura tem na vida de todas essas pessoas e cada uma, do seu jeito singular, passou suas experiências de vida, com esse mundo fantástico e infinito.
      Para mim também, a leitura é uma coisa absolutamente importante, me ajuda na concentração, me leva para dentro, me acalma e me alimenta espiritualmente, como bem disse J.C. Viola.
      Quantas  vezes, em tantos sofrimentos que passei, deitava em minha cama e lia, lia, lia. De Alencar a Graciliano, de dicionário a bíblia. E então me deixava ir para aqueles mundos fantásticos,os outros só por conhecer as coisas, saber mais e então, a dor parecia se tornar mais amena e eu dormia com os olhos cheios de lágrimas, mas o coração calmo.
      Eu não tive em quem me espelhar, meus pais nem terminaram o primário (como era chamado antigamente), e não tenho lembrança de livros espalhados pela minha casa quando era criança.
      Conheci os livros na escola, mas não me lembro também de nenhuma professora ter me incentivado para gostar de ler.Foi por mim mesma, pela minha curiosidade e pela minha avidez por querer saber mais, estudar mais, me informar mais.
       Lembro-me que quando jovem, lia muito as fotonovelas e depois cortava imagens de várias revistas e criava a minha fotonovela. Nossa! Era mágico!E chamava as amigas para ler as histórias que fazia.
        Já na faculdade aprendi a ler o que me impunham, mas não achava ruim, pois eu conseguia descobrir coisas lindas, coisas que não estavam marcadas no trabalho pedido pela professora, mas coisas que estavam só no meu mundo.
        Hoje, a minha casa é repleta de livros, sou espelho para os meus três filhos e neto e torço muito para que todos tenham essa mesma paixão pela leitura.
Janete dos Santos
Os Sonhos e um Sistema

Minha avó voltou sua atenção para minha escolarização!

Ao recordar a minha formação escolar até o presente momento, me reporto sem dúvida alguma aos primeiros anos escolares: final da década de sessenta e início da década de setenta, em plena ditadura militar. Morava com minha família e por ser nesta época, a única criança e também a única filha de uma “Normalista” recém-formada que cursava a Faculdade de Ciências Biológicas, eu já estava acostumada com muitas histórias contadas pelos meus pais, pelas tias e meus avós, eu era realmente uma criança feliz, com os meus sete anos sabia o nome das cores, contar numerais em português até o vinte corretamente e até em inglês igualmente, também sabia reconhecer muitas outras letras.
Os livros foram algo muito presente na minha vida e estavam constantemente nas mãos dos mais velhos naquele casarão, posto que meu avô apesar de não contar com estudo algum, de ser extremamente severo e sistemático, sempre fez questão de oferecer estudo para todos seus nove filhos.  Fora mandando-os, cada um a sua vez, para colégios internos na tentativa de oferecer-lhes o melhor, porém para seu descontentamento somente as mulheres acabaram por concluí-los, voltando para casa, os seus quatro filhos (todos os homens), que acabaram nos serviços da lavoura de café.
Nesta época, minha mãe já lecionava, mas justo quando iniciei os meus primeiros anos escolares, ela também iniciou a sua Faculdade e todo o seu tempo acabou tomado pelas suas atividades, ministrando aulas no decorrer do dia e estudando a noite. Entretanto, eu podia contar com as minhas tias também formadas e com a minha avó, que voltou toda sua atenção para a minha escolarização, meu pai neste período tomava conta de uma farmácia, e assim eu me acostumei na casa dos avós.
Acabei frequentando uma escola na minha cidade mesmo, uma escola do governo, o que para mim foi melhor do que esperava, pois tinha muito medo de ser uma interna em colégios de freiras. Era levada à escola pela minha avó, todos os dias e estava no primeiro ano escolar, onde toda mordomia que tinha em casa acabava assim que adentrava os portões altos da Escola Estadual Profº Uzenir Coelho Zeitune na cidade de Votuporanga, interior do estado de São Paulo.
            Como os costumes da época não nos davam direito a questionamentos, a educação acontecia de maneira comum, meninos e meninas estudavam então em uma mesma classe, sendo a separação quanto ao sexo realizada pela própria professora, dentro da mesma. Mas, antes de irmos para as nossas salas, nos dirigíamos até o pátio central e em fileiras, nos distanciávamos corretamente uns dos outros, nos colocávamo-nos de maneira correta, em sentido de respeito para o cântico do Hino Nacional Brasileiro, o que eu não sabia e também não perguntava por achá-lo muito complicado e longo demais, entretanto com o passar dos olhos rígidos e contraídos da professora, o medo me obrigava a mexer os lábios num “faz de conta”, conseguindo soltar o som somente no final de algumas palavras.
Em sala pronta para a alfabetização, o sistema adotado fora o da Cartilha Caminho Suave, de Branca Alves de Lima, cujo procedimento aconteceu através de memorização e associação das letras às imagens, uma abordagem estruturalista que previa a aquisição da língua por meio da imitação e construção de hábitos, de modelos estabelecidos, no qual o ensino da Língua Portuguesa não focava a interação, tempo este que não se falava em linguística da enunciação. Senti-me perdida neste mundo sem sonhos, sem as palavras cheias de encantamento das leituras de minha mãe ou das minhas tias, das historinhas contadas pela minha avó ao ensinar a formação das palavras ligando as letras como se fosse uma cirandinha, bem no final de um caderno improvisado (o de receitas). O mundo que contei tanto nos dedos para começar tornou-se um horror, a partir do momento que senti o peso desse sistema sem luz, distante da interatividade e da abordagem dialógica. Não me lembro do rosto da minha professora do primeiro ano e tampouco do seu nome, ela tornou-se a bruxa má dos livros guardados no casarão dos meus avós.
Reflito muito sobre minha docência para não concorrer com o mesmo equívoco praticado por tantos “professores” e busco constantemente em estudos, o complemento para minha total assimilação e incorporação como educadora comprometida com o saber e preocupada em como transmiti-lo.
“Toda palavra (todo signo) de um texto conduz para fora dos limites desse texto. A compreensão é o cortejo de um texto com outros textos”, (BAKTHIN, 1992 – p.404).
Cristina Ap Nicoletti